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Blog dos 300

Este blog surgiu como forma a poder comentar situações do quotidiano, sobre todas as áreas, e até sobre a minha vida. Resultante da parceria com 3 amigos da faculdade, também se comenta cinema e música.

Blog dos 300

Este blog surgiu como forma a poder comentar situações do quotidiano, sobre todas as áreas, e até sobre a minha vida. Resultante da parceria com 3 amigos da faculdade, também se comenta cinema e música.

Resumo de uma época

Bem, nunca é fácil falar de uma época em que quase tudo correu mal, para não dizer mesmo tudo, culminando com uma descida de divisão. No entanto, eu costumo todas as épocas fazer um balanço da minha época desportiva, e muitos amigos e conhecidos meus já me perguntavam se não ia haver nada esta época. Calma meus amigos, demorou mas chegou, não é por correr mal que iria deixar de fazer essa análise ou que iria apagar a história. Ora então vamos lá começar pelo princípio, com uma frase que se aplica ao Vermoim nesta época "o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita",  de facto foi mesmo isto e quando a coisa começa mal é difícil acabar bem.

Inicialmente tinha tudo para correr bem, manter uma equipa que ano passado fez quarto lugar e ainda acrescentar 2 ou 3 reforços, poderia parecer meio caminho andado para uma época tranquila, pelo menos. No entanto, e como sabemos, não foi isso que aconteceu, porque existiram vários factores que foram retirando um dos pilares, para que uma equipa possa ter sucesso numa época, que é a estabilidade. Tudo começou com a redução do horário de treino de quinta-feira, foi o primeiro grande foco de revolta dos jogadores do Vermoim, tudo bem que foram só 30 minutos, mas 30 minutos fazem diferença e fazem muita diferença mesmo. Não entendemos como é que se podem tirar a uns para dar aos outros, afinal uns são filhos e outros são enteados? Sei de equipas da nossa divisão que treinavam o triplo do Vermoim. Devido a este primeiro ponto que acabei de referir surgiu um outro ponto, relativo aos treinos pontuais que iam sendo marcados para compensar a falta destes 30 minutos, porque normalmente calhavam à sexta-feira o que se tornava complicado para muitos jogadores, embora eu não tenha faltado a nenhum, muitas vezes custava-me a mim e a outros jogadores que também iam, treinar a uma sexta-feira, porque temos que ver, ter treino na quinta-feira, treino na sexta-feira e jogo no sábado. É claro que se torna complicado, para além dos jogadores trabalharem/estudarem, ainda têm as suas famílias, o que com 3 dias seguidos de treinos/jogos se torna muito complicado de conciliar.

De seguida e a juntar à falta de pontos que o Vermoim já carecia, foram surgindo novas situações, como a indisponiblidade de alguns jogadores para os jogos devido ao trabalho/compromissos que tinham, mas mais que isso surgiram algumas situações de jogadores que não podiam treinar por compromissos profissionais, e que vinham ao jogos. Todos nós somos suficientemente crescidos para perceber que sem trabalho não há mais nada praticamente, é o trabalho que permite pagar as sapatilhas com que jogamos, as caneleiras, as joelheiras, o almoço, o jantar, sustentar a família, seja o que for. Também somos todos adultos para perceber que o mundo do trabalho está em mudança, são cada vez menos os empregos das 8h às 17h, ou das 9h às 18h, é preciso trabalhar à noite, o mundo não para nem durante a noite. Da mesma forma, não podemos menosprezar quem treina, e sobretudo quem treina bem, quem se empenha nos treinos, quem dá tudo e deixar constantemente de fora jogadores que merecem ser convocados e mais que ser convocados, até merecem jogar. Claro que não há equipa que aguente com isto tudo, os jogadores que vão aos treinos deixam de ter motivação porque sabem que treinando ou não o seu lugar no fim-de-semana vai ser na bancada ou no banco, os jogadores que não treinam não estão preparados fisicamente (não têm pulmão) para aguentar o que for necessário no jogo. E foram estas e mais algumas situações que foram surgindo e que nos foram colocando cada vez mais para baixo, apesar de na recta final ainda termos feito uma grande recuperação, não foi o suficiente para garantirmos a permanência.

No que está relacionado comigo, sabia que esta era a minha primeira época como sénior, e de acordo com o que me tinha sido dito (continua a crescer e a evoluir), sempre pensei que ia ter uns 5 minutos aqui, uns 7 ali, uns 10 acolá, uns jogos da taça, mas isso não aconteceu e até meio da época apenas tinha 60 minutos de jogo, que correspondia a um jogo e meio. As coisas não estavam a correr nada bem, e semana sim, semana não estava na bancada, e na maior parte das vezes que lá estava tinha a noção de merecia estar lá em baixo e mesmo a jogar, por tudo aquilo que ia fazendo ao longo da semana nos treinos. Não foram momentos nada fáceis, uma coisa é não jogar por que falto aos treinos para ver a Champions ou porque fui mas não me esforcei, não dei o meu máximo, outra totalmente diferente é saber que demos tudo, saber que mereciamos a oportunidade e acabar mais uma semana na bancada. Pensei várias vezes em desistir do futsal e voltar onde tudo começou, aos jogos com os amigos apenas, posso dizer que estive a centímetros mesmo de falar com os responsáveis para vir embora, já começava a ser difícil para mim explicar todas as semanas aos meus amigos e família, onde é que supostamente tinha falhado para não ter sido convocado, além da minha família ter-me sugerido várias vezes fazer isso, porque achavam que não era razoável o que me estava a acontecer. Aqui, tenho de fazer uma pausa, para agradecer aos meus amigos porque sempre me mandaram levantar a cabeça e seguir em frente, as oportunidades iriam aparecer mais tarde ou mais cedo. E, eles tinham razão, elas apareceram, não da forma que eu mais gostaria, mas apareceram. Desses jogos que joguei, há alguns que certamente irei recordar para sempre:

  • o primeiro, contra os Polenenses, em nossa casa, por ser o primeiro jogo que fiz esta época e porque ganhamos e assim saímos do último lugar;

 

  • contra a Académica de Leça, em que não estava a contar jogar, mas tal acabou por acontecer e penso que fiz o meu melhor jogo de sempre, a chave para isso esteve na minha calma, porque estava anormalmente tranquilo, talvez porque sabia que não tinha nada a perder, o pior que me poderia acontecer era voltar para a bancada, é certo que acabamos por perder por 3-1, mas fiz um bom jogo para mais tarde recordar;

 

  • o jogo contra os Polenenses, pela importância que o jogo tinha, quem perdesse praticamente descia de divisão naquela jornada, e nós depois de estarmos a perder 2-0 acabamos por dar a volta, mais um jogo que me correu particularmente bem;

 

  • o jogo contra a Cohaemato, pela grau de dificuldade elevada, e por ter saído de lá todo partido e com um lábio arrebentado, é certo que perdemos, mas acho que fiz um bom jogo;

 

Na próxima época espero sinceramente, poder ter as minhas oportunidades quando as merecer ter, e continuar a crescer enquanto jogador e enquanto pessoa, mas acima de tudo que seja uma época calma em que o Vermoim, possa alcançar rapidamente a manutenção e se possível tentar a subida, e voltar ao lugar onde deveria estar, não fossem ter acontecido todas estas peripécias, que é um lugar entre os melhores. Para terminar, que o resumo já vai longo, deixo aqui um vídeo com alguns dos meus melhores momentos durante esta época.