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Blog dos 300

Este blog surgiu como forma a poder comentar situações do quotidiano, sobre todas as áreas, e até sobre a minha vida. Resultante da parceria com 3 amigos da faculdade, também se comenta cinema e música.

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Este blog surgiu como forma a poder comentar situações do quotidiano, sobre todas as áreas, e até sobre a minha vida. Resultante da parceria com 3 amigos da faculdade, também se comenta cinema e música.

Praxes - a voz feminina e inexperiente

Ora, chegou a minha vez de falar das praxes. E sim, já sei que não percebo nada do assunto porque ainda não experimentei, mas vou dar a minha opinião com base naquilo que me dizem e que vejo.

Em primeiro lugar, antes da tragédia da Praia do Meco, eu já tinha uma opinião formada em relação às praxes. Lembro de, quando era mais nova, comentar com as minhas colegas e amigas que aquilo de que tinha mais medo quando fosse para a universidade eram as praxes. E isto porquê? Bem, porque ouvia pessoas mais velhas que já lá tinham chegado a dizer: "Tive que rebolar no lixo", "Tinha que dar três voltas nu/a a um prédio", "Tinha que comer pêlos de aranha enrolados com excrementos de mosca" (ok, esta última foi completamente inventada para aligeirar aqui a coisa). Eu ouvia tais coisas e pensava: mas afinal o que é aquilo?! E depois perguntava: e o que acontecia/acontece caso recusasses/recuses fazer o que te mandam? Lá me respondiam: se não fizesse/fizer sou excluída/o socialmente e deixo de ser convidada/o para as festas, tornando-me numa espécie de "forever alone". Eu cá pensava: sinceramente não sei o que é pior... mas hei de lá chegar (espero eu) para ver.

Agora, com toda esta polémica, eu penso que, realmente, as instituições, organizações, grupos e rituais não têm culpa daquilo que as pessoas fazem, mesmo que digam que seguem a sua ideologia. É o caso do cristianismo, por exemplo, que defende determinados valores; se uma pessoa matar outra e for cristã, a culpa é da religião? Não creio. O mesmo se passa com as praxes: inicialmente (e acho que agora também), tinham como finalidade integrar os caloiros, oferecer-lhes uma receção boa e enriquecê-los com algum tipo de aprendizagem. No entanto, há certos "Dux" que abusam do poder. Pensam que por "poderem" mandar alguém fazer algo, que podem pedir/exigir o que quiserem. Não acho que seja assim. E não me venham com tretas do género "Isto é preparação para o futuro" ou ainda "É preciso saber obedecer". Se nos mandarem atirarmo-nos de uma ponte, vamos, só porque nos mandam? Ganhem juízo e algum sentido crítico, por favor. Dizer que sim a tudo não faz de vocês obedientes nem sacrificados, mas sim imprudentes. Ainda por cima, a maior parte (não todos, como é óbvio) desses "Dux" são aqueles alunos que estão na universidade há mais anos (acho que se pode culpar a ignorância), a dar despesa ao Estado e sem qualquer tipo de produtividade. São estes que vão dizer aquilo que devemos seguir? Essas pessoas devem ser modelos e exemplos positivos, não o contrário. Claro que também compreendo que determinadas pessoas são influenciadas a concordar com as praxes devido à pressão social e, quanto a isso, não há muito a fazer a não ser maior controle e supervisão das atividades universitárias e extra. E é através disto mesmo que acho que se podem refomar as praxes. Elas devem continuar, sim, mas sob determinadas ideias e valores, e certos atos devem ser proibidos.

Para o ano (se tudo correr bem), é a minha vez. Espero poder participar alegre e voluntariamente.

 

Beijinhos e abraços,

Cláudia Araújo.